20 de Julho de 2014

JÚLIO DUARTE

Como seu irmão Alfredo Duarte «Marceneiro» Júlio Duarte pertenceu a um núcleo de fadistas que sabiam ser fadistas, que cantava o Fado amando-o, merecendo o apreço do público e dos seus colegas.

Nasceu em Lisboa, na Freguesia de Santa Isabel, e é manufactor de calçado. Até casar viveu sempre com a mãe e os seus irmãos, tendo pelo irmão mais velho, o Alfredo, uma admiração muito especial, considerava-o como um pai.

Tinha apenas 14 anos quando começou a cantar o Fado, estreando-se no Centro Republicano Miguel Bombarda, sendo muito solicitado para actuar em academias de recreio, festas de caridade e e actuou em quase todos os retiros da época. Actuou no antigo Teatro Étoile , na calçada da Estrela, fazendo números de variedades com a pequenina actriz Hortense de Castro.

Torna-se profissional em 1928. Cantou-o então, nas cervejarias Boémia, Cervejaria Jansen , Rosa Branca, Chagas, Vitória, Cafés Portugal, Sul-América , Anjos, Julio das Farturas, Solar da Alegria (quando da gerência. de Alberto Costa), Salão Artístico de Fados, teatros Capitólio e Joaquim d'Almeida , nos clubes Tauromáquico, Olímpia, Montanha, Patos, Alhambra, e nos. Cinemas Europa, Jardim-Cinema , Cine Paris e Royal . Percorreu as províncias, cantando nos te­atros de Évora, Barreiro, Seixal, Montijo. Setúbal, Torres Vedras, Malveira, Quinta do Anjo, Torres Novas, Caldas da Rainha, Mafra, Cadaval, Figueira da Foz, Abrigada, Cascais, Estoril, Moita, Parede, Paço d' Arcos, Alenquer, Feliteira, Merceana e Benavente.

Cantou nas casas fidalgas do Conde da Torre e Conde de Sabrosa, nas herdades do opulento lavrador Palha Blanco.

Tal como o seu irmão Alfredo, foi autor de várias músicas para Fados, “Combatentes”, “Crença”, “Fado da Paz”, “Fado da Aldeia” (gravado por Ercília Costa), “Fado Marcha”, “Lágrimas”, (gravado por Maria do Carmo), e ”Fado Luso”.

Da sua carreira de cantador, há uma tarde que Júlio Duarte gravou na memória, por assinalar um dos seus maiores êxitos, foi em Vila Franca de Xira, no Retiro Botão de Rosa, onde cantou ao lado de Júlio Proença, Estanislau Cardoso e João Maria dos Anjos, forma acompanhados pelo guitarrista e cantador Carlos Ramos e á viola por Armando Machado, e também uma cena que se passou nessa altura.Encontravam-se ali dois detractores do Fado, comba­tendo-o grosseiramente. Então, bastante enervado, tanto ele como os seus colegas, começaram a cantar, sendo de tal modo aplaudidos por toda a assistência que enchia a casa, que aqueles tiveram de retirar-se vexados e... ven­cidos. Foi uma tarde de triunfo.

Por último, Júlio Duarte actuava no Retiro da Severa, Solar da Alegria, Cafés Gimnasio, Luso e Mondego, Foi também muito solicitado para actuar na rádio, Emissora Nacional, Rádio Luso, Rádio Graça e Rádio Peninsular.

Cantou muitas vezes com o irmão, que só se profissionalizou mais tarde, embora tendo a fama que se sabe, mas já não assistiu a esse acontecimento, pois faleceu prematuramente.

Júlio Duarte, foi casado com uma fadista de renome na época, Leonor Duarte, de quem teve duas filhas, a Júlia e a Aida.

Júlio Duarte tem no seu repertório as seguintes sextilhas do poeta popular João de Sousa (Bacalhau), que ele cantanva com inexcedível sentimento no “Fado Marcha Pedro Rodrigues”

 

                                         INGENUIDADE

 

Um dia, uma criança
Teve a genial lembrança
Que aqui lhes vou contar:
Muito embora pequenino,
Ele tinha muito tino,
Mas era raro brincar.
                                 Havia no seu quintal
                                 Uma árvore e, por sinal,
                                 Um melro fez lá o ninho...
                                 E lembrou à criancinha,
                                 Com um carrinho de linha,
                                 Trepar lá acima, sozinho.
A mãe bem o procurou,
Porém não o encontrou,
E após tê-lo chamado,
Então, um grito ela ouviu,
O garotinho caiu
Cá em baixo inanimado.
                                  Prestes a deixar o mundo,
                                  O garoto moribundo,
                                  Com a palidez do mármore,
                                  Disse: Não foi pelo ninho,
                                  Foi p'ra salvar o paizinho.
                                  Que subi aquela árvore.
«Ainda me lembro bem
Do doutor ter dito á mãe,
Que com custo a prevenia,
Que, quando as folhas caíssem
E a nossa árvore despissem,
O meu paizinho morria.
 
                                  Por isso levei as linhas,
                                  P´rás prender, bem prendedinhas,
                                  E todas elas atei;
                                  Ele agora já não morre
                                  Anda, vai-lhe dizer, corre,
                                  Que eu morro, mas que o salvei!
 

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publicado por Vítor Marceneiro às 21:46
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