06 de Setembro de 2015

Alfredo Marceneiro_Campus.jpg

 

                                  RETRATO 

 

             

 

             

             

 

         

 

Não sou certamente um “bêbado pintor”

Por o escrever como escrevo.

Por pintar com letras este retrato.

Por pintar com letras o que se escreve com notas,

por recusar dizer como já todos disseram.

 

     Mas não disseram tudo.

 

Porque o “tudo”, é meta que não é,

quando se quer explicar Alfredo Marceneiro.

Quando se quer (à viva força) vulgarizar Alfredo,

chamando-o de fadista, de génio.

Chamando-o de mestre.

 

Não! Marceneiro não foi um génio.

Não foi um mestre.

Marceneiro não foi fadista.

Como por todo o lado se escreve.

 

     Marceneiro?

 

Marceneiro,  lembro-me e bem,

era o Fado em pessoa.

Pois ele vestia o fado.

A sua pele era do fado.

Transpirava fado

Em todas as estações.

A sua voz soltava o fado,

que já no coração não cabia.

 

Fado que alimenta espíritos,

Fado que encanta fadistas.

Fado que está dentro do Fado.

Que mostra o que não se explica.

 

     Serei um “bêbado pintor”?

 

Aquela voz agreste

Que vai e corre pelas letras,

como a charrua vira a leiva,

dando a terra à exposição.

Alfredo vira os espíritos,

Marceneiro dá novas almas…

às almas sofridas do fado.

 

     Serei um “bêbado pintor”?

 

Não! Porque o “tudo”, é meta que não é,

Porque dizer tudo de Marceneiro,

pra se querer explicar Alfredo Marceneiro,

fica-se sempre p’lo meio.

 

Como o marceneiro talha a madeira,

na sua lentidão feita paixão,

e constrói espantos de amor…

Marceneiro talhou seus fados,

de muito amor e paixão.

E afinal Alfredo Marceneiro,

era a simplicidade em erupção.

 

     Serei um “bêbado pintor?

 

Autor: Gonçalo Inocentes (Matheos)

Caricatura de "CAMPUS"

 

publicado por Vítor Marceneiro às 00:00

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Busto de Alfredo Marceneiro por Dr. Francisco Faria Pais Busto de Alfredo Marceneiro por Dr. Francisco Faria Pais